"Toda história tem três lados: o meu, o seu e os fatos." ( Foster Russel)

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Altamiro Borges: Dilma retruca FHC e defende Lula

Altamiro Borges: Dilma retruca FHC e defende Lula: Por Altamiro Borges Quem fala o que quer, ouve o que não quer - diz o ditado popular. Em artigo publicado em dois jornalões neste domin...

domingo, 6 de maio de 2012

François Hollande é eleito presidente da França

François Hollande, do Partido Socialista, foi eleito neste domingo presidente da República da França. Hollande derrotou Sarkozy no segundo turno das eleições presidenciais com 51,9 % dos votos, contra 48,1 %, segundo as estimativas feitas pelo instituto Ipsos para o jornal Le Monde", a France Télévision e a Radio France a partir dos primeiros boletins de apuração.

Depois de François Mitterrand, em 1981 e em 1988, François Hollande é o segundo presidente socialista da Quinta República francesa, fundada em 1958.

Os demais institutos deram resultados semelhantes : TNS Sofres (52% para Hollande) ; Ifop (52,7%) ; Harris (52,1%) e CSA (51,8%).

Multidões se reúnem diante da sede do PS, no tradicional Bairro Latino e na histórica Praça da Batilha, onde manifestam entusiasmo pela vitória dos socialistas. A derrota de Sarkozy é vista pelas principais forças de esquerda, entre elas o Partido Comunista, agrupadas na Frente de Esquerda, como um passo importante para inicar o enfrentamento às políticas neoliberais e conservadoras que levaram a França à beira do abismo.

O presidente derrotado Nicolas Sarkozy admitiu a derrota dizendo que agora voltará a ser "um francês entre os franceses... sabendo que a vida é feita de sucessos e derrotas".

Manuel Valls, um dos dirigentes do Partido Socialista, disse estar emocionado com a vitória de Hollande. Para ele, a partir de agora a tarefa será "ardente e magnífica".

Jean-Luc Mélenchon desejou o melhor a François Hollande e ao país, em declaração após o anúncio da vitória do candidato do Partido Socialista, considerando que "sua vantagem lhe dá meios para agir".

"Finalmente, Sarkozy acabou! Dessa maneira foi feito o acerto de contas com esse coveiro das conquistas sociais e dos serviços públicos de nossa República. Sua derrota é a derrota do seu projeto de extrema direitização. É uma boa notícia para a França e toda a Europa. O mundo que nos olha conhece de novo a audácia dos franceses", escreveu em um comunicado o ex-candidato da Frente de Esquerda, que alcançou 4 milhões de votos (11,1%) no primeiro turno. "Começa uma nova página para a França e a Europa", agregou.

Hollande

"Neste 6 de maio, os franceses escolheram a mudança, levando-me à presidência da República. Eu tenho a medida da honra que me foi feita e da tarefa que me espera. Perante vocês eu me comprometo a servir o país, com devotamento e de maneira exemplar como essa função requer", declarou o presidente eleito François Hollande, na cidade de Tulle, onde se encontra, em seu primeiro pronunciamento depois do anúncio do resultado eleitoral. Hollande enviou uma "saudação republicana" a Nicolas Sarkozy "que dirigiu a França durante cinco anos e merece, a esse título, todo o nosso respeito". O presidente eleito expressou também sua "profunda gratidão a todos aqueles que, com o seu voto, tornaram esta vitória possível".

Afirmando que será "o presidente de todos os franceses", Hollande disse que  "as pessoas esperam por esse momento há anos, outros, mais jovens, não viveram épocas como esta. Muitas pessoas tiveram muitas decepções, e eu me sinto feliz em poder trazer esperança". O presidente eleito reforçou o compromisso com algumas de suas principais promessas durante a campanha: acesso aos serviços de saúde, igualdade, prioridade para a educação, além de mudanças ecológicas. "Precisamos liderar a Europa para o futuro", declarou Hollande, que ainda prometeu amenizar as medidas impopulares de austeridade impostas pelo atual governo para conter os efeitos da crise econômica.

François Hollande disse ainda que "o dia 6 de maio deve ser um grande dia para o país, um novo começo para a Europa, uma nova esperança para o mundo". Ele terminou seu discurso dizendo que "o sonho francês chama-se simplesmente progresso", e que sempre foi um homem de esquerda.


Fonte: Portal Vermelho, com informações on line do Le Monde e Le Figaro

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Mobilização e luta dos professores faz reverter a posição do governo.

A direção estadual da APP-Sindicato e a Secretaria de Estado da Educação (Seed) do Paraná se reuniram na tarde da quarta-feira (02/05) para debater a pauta de reivindicação da categoria como a hora-atividade, piso salarial profissional nacional (PSPN), reajuste de funcionários, dobra de padrão, entre outros. Essa reunião é resultado da mobilização do último dia 26, quando educadores paralisaram suas atividades em todo o Paraná.

Hora-atividade: a direção da APP reafirmou a defesa da implementação da hora-atividade já e novamente notificou o governo quanto à rejeição da categoria à ideia de parcelamento gradual. Na reunião de hoje (02) o governo avançou na proposta, ao aceitar a implementação total dos 33% já em janeiro de 2013. Neste ponto, o governo originalmente queria iniciar a implantação em 2013 e só concluí-la em 2014. Ainda sob o argumento da necessidade de aumentar o quadro de professores com novo concurso público e oferta do cargo de 40 horas para assim aplicar os 33%, a Seed acatou a reivindicação da categoria, sem o parcelamento, mas para aplicação em janeiro de 2013.

Flávio Arns, secretário de Educação, afirmou que haverá um grupo de trabalho no Ministério da Educação formado pelo Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), União dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) e Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) que discutirá os critérios de implantação desse benefício garantido na Lei do Piso e como será feita uma apropriação pedagógica desde novo tempo de trabalho. O secretário garante que independente da conclusão do grupo, a implantação no Paraná está certa. "Vamos implantar com certeza em 2013, para o início do ano", afirma.

Lei doPiso: no dia 09 de maio sairá o índice da inflação que deve ficar em torno de 5% (e não 6,5% como já foi divulgado). Independente disso, o reajusteconfirmado é de 19,55%.O secretário confirmou o pagamento referente ao valor do Piso. Primeiro haverá de forma universal o pagamento da data-base. A diferença para os 19,55% serão redistribuídos nas parcelas de julho e outubro. A APP cobrou que os trâmites para o pagamento sejam agilizados. A entidade ainda ressaltou que o reajuste é referente à Lei do Piso, ou seja, deve ser implantado a todos, inclusive aposentados sem paridade e pensionistas.

Retroativodo Piso: segundo dados da reunião anterior entre a APP , o Dieese e a Seed, o impacto é de cerca de 250 milhões. A Seed reconheceu a Lei e a dívida retroativa, mas alegou que é impossível financeiramente garantir o pagamento de imediato. O devido será pago até o final do ano. As reuniões permanentes sobre as finanças avaliarão a proposta de pagamento. A APP propôs, no limite, um 14º salário.

Reajuste dosfuncionários: o governo não apresentou na reunião uma proposta concreta sobre esse item da pauta. A direção da APP reafirmou que não aceita apenas o índice da inflação. O governo estuda proposta de reajuste igualando ao salário mínimo regional que teve um aumento de 10,33%. O secretário de Educação admite considerar inadequado ter funcionários ganhando menos que o salário mínimo regional. A APP propôs que a diferença da data-base conste na reformulação do plano de carreira. Na próxima semana uma reunião entre APP-Sindicato e Seed o debaterá especificamente esse tema.

Dobrade padrão: a proposta da Seed é a realização da dobra de padrão em duas etapas: em 2012 para quem possui um padrão de 20h mais aulas extraordinárias e em 2013 para quem tem dois padrões. A APP continua defendendo que todos os profissionais devem obter esse direito ao mesmo tempo. A Seed apresentou impossibilidade de realização numa única etapa devido ao impacto financeiro. Mesmo assim garantiu que as duas etapas constarão do novo decreto, cuja proposta será encaminhada à direção do sindicato para análise e debate no conselho estadual e na assembleia.
Outros pontos:

Nomeação agentes I - Cerca de 300 funcionários agente I, do concurso de 2006, devem ser chamados para nomeação nos próximos dias. São os concursados que tinham sido considerados inaptos e posteriormente foram considerados aptos. O processo está na casa civil. Há uma comissão gestora que dará o aval para que saia o decreto de nomeação em breve.

Concursopúblico - até o final de maio será publicado o edital de convocação do concurso para professor. Na próxima semana a Seed divulgará o cronograma depois de debate com a Seap.

Plano decarreiras dos funcionários- a proposta de minuta já foi entregue ao Secretário de Educação. O compromisso do governo, reafirmado na reunião, é, de até o final de maio encaminhar para a Assembleia Legislativa. A APP ainda apresentará duas correções à proposta, mas garantiu a inclusão de graduação para Agente Educacional I e pós-graduação para Agente Educacional II.

Reposiçãoda paralisação - A APP defendeu novamente que a reposição das aulas do dia 26 de abril fosse feita por conteúdos, respeitando-se o mínimo legal de 800 horas de carga anual, no entanto, a Seed determinou o mesmo encaminhamento dado à recuperação da paralisação do dia 15 de março: a reposição por dia. A Superintendência de Educação enviará orientação aos NREs e escolas sobre o tema.

PDE 2009 - A APP voltou a cobrar energicamente o pagamento das promoções dos professores da turma do PDE de 2009, que permanece sem solução. Arns assumiu o compromisso de, nas próximas horas, buscar uma solução junto à Secretaria da Fazenda e o governador. Até a sexta-feira, a Seed comunicará a data do pagamento à direção da APP. Não havendo pagamento, a diretoria da APP discutirá no conselho e na Assembleia a realização de um ato na Secretaria da Fazenda. 

Participaram da reunião pela APP-Sindicat a presidenta Marlei Fernandes de Carvalho, a secretária Educacional Walkíria Olegário Mazeto, o secretário de Funcionários, Valdivino de Moraes, o secretário de Finanças, Miguel Baez, o secretário de Imprensa, Luiz Carlos Paixão, o secretário de Assuntos Jurídicos, Mário Sergio Ferreira de Souza, e o representante do Dieese, economista Cid Cordeiro. Pela Seed participaram o secretário de Educação, Flávio Arns, o diretor geral da Seed Jorge Wekerlin, a superintendente de Educação, Meroujy Cavet, o chefe de gabinete, Cilos Vargas, e a chefe do GRHS, Graziele Andreola.

Fonte:  APP-Sindicato

quinta-feira, 22 de março de 2012

JPMorgan fecha conta do Vaticano que facilita lava...

 O JPMorgan, instituição financeira com sede nos Estados Unidos, informou que a sua filial italiana vai fechar a conta que está em nome do banco do Vaticano porque ela não é suficientemente transparente de modo a impedir ou dificultar a lavagem de dinheiro.

De acordo com agências de notícias, o JPMorgan tomou essa decisão após o Vaticano ter-se recusado a dar explicações sobre algumas transferências de dinheiro feitas na filial de Milão...
Leia mais... >>>JPMorgan fecha conta do Vaticano que facilita lava...:

sexta-feira, 16 de março de 2012

O GOVERNO RECONHECE A FORÇA DOS EDUCADORES DO PARANÁ

Na manhã desta quinta-feira(15/03), mais de 7mil profissionais da educação do Paraná realizaram passeata em Curitiba e, em todo o Estado, mais de 90% da categoria aderiu a paralisação proposta pela APP- Sindicato (orgão sindical que representante da categoria). Os educadores exigem o cumprimento da lei. O Piso é lei. 

A grande mobilização da categoria faz avançar as negociações. O governador que parecia irredutível, agora reconhece a força da categoria e garante que até o dia 27/03 apresentará proposta para cumprimento da LEI DO PISO: SALÁRIO E HORA ATIVIDADE; REAJUSTE PARA OS FUNCIONÁRIOS E, REESTRUTURAÇÃO DO SISTEMA DE SAÚDE - SAS.

Os PROFESSORES e demais Profissionais da Educação deverão permanecer em estado de alerta e, não havendo o cumprimento da pauta de reivindicação, o caminho mais provável será uma greve por tempo indeterminado.

terça-feira, 13 de março de 2012

Com medo da forte adesão a greve, Prefeitura de Curitiba tenta ameaçar e coagir professores

O SISMMAC está indignado com a postura da Prefeitura de Curitiba, que, por meio dos chefes de núcleo e de alguns diretores de escola, coage os profissionais do magistério, dissemina o terror, faz ameaças, constrange e intimida. Essa ação é premeditada e tem o objetivo de amedrontar a categoria e impedir nosso movimento grevista. Isso é coisa da DITADURA!

O direito de greve está previsto no art. 37, inciso VII da Constituição Federal. Impedir os profissionais do magistério de participar de uma manifestação pacífica é coisa de gente autoritária, que desconhece as leis. Os abusos cometidos pelos chefes de núcleo e algumas direções podem gerar processos administrativos, bem como motivar o Sindicato a ingressar com ações judiciais a fim de punir tais práticas.

Os professores coagidos ou que sofrerem ameaças deverão imediatamente fazer registrar em ata.

Greve é direito!
A greve é um direito constitucional e vamos exercê-lo! Essa foi a vontade expressa pelo conjunto do magistério na assembleia do dia 8 de março, quando 1060 professores aprovaram por unanimidade a deflagração da nossa greve. A paralisação é necessária para que a população de Curitiba saiba como a administração municipal trata os profissionais do magistério.

Nossa greve é, acima de tudo, um apelo por respeito e valorização. Ceder as ameaças e retroceder agora seria deslegitimar a nossa luta, fingir que estamos satisfeitos e que os baixos salários e as péssimas condições de trabalho são tudo o que merecemos.

Os profissionais do magistério não vão tolerar as intimidações da administração municipal. Vamos reagir à altura! É hora de mostrar coragem, que estamos unidos e mobilizados e que o magistério não tem medo de cara feia!

Prefeitura comete prática anti-sindical e desrespeita a Lei
O Mandado de Injunção 112/2007 – que estende os efeitos da Lei de Greve (Lei Federal nº 7.783/89) aos trabalhadores do Estado – é claro: os servidores públicos têm direito à greve e o Estado é PROIBIDO de adotar meios que forcem os servidores a comparecerem ao trabalho, bem como de utilizar meios que possam frustrar a divulgação do movimento.

Isso significa que a Prefeitura fere a lei ao ameaçar os professores com penalidades – algumas que sequer estão previstas na legislação – e ao impedir o Sindicato de entrar nas escolas para conversar com os trabalhadores.

Coação e assédio moral
As ações da Prefeitura também configuram em práticas de assédio moral e coação – crimes previstos no Código Penal. O artigo 146 do Código prevê multa ou detenção de três meses a um ano para quem “constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, ou depois de lhe haver reduzido, por qualquer outro meio, a capacidade de resistência, a não fazer o que a lei permite, ou a fazer o que ela não manda”.

A lei está do nosso lado. Somos servidores públicos estatutários e a Prefeitura só pode punir um de nós, se houver falta grave, após tramitação de um Processo Administrativo Disciplinar, onde deverá ser assegurada ampla defesa.

Quem está em estágio probatório também pode participar da greve
Os professores que possuem menos de três anos de rede têm o mesmo direito de se manifestar do que qualquer outro. Os dias de paralisação não podem ser considerados faltas injustificadas, nem faltas graves. Por isso, mesmo quem está no estágio probatório não pode ser exonerado por ter participado do movimento grevista. Também não pode haver a qualquer exoneração sem a instauração de processo administrativo disciplinar.

Além disso, não existe qualquer previsão legal de punição para os servidores em estágio probatório no que se refere a sua participação em movimento grevista. Isso significa que, se o professor for ameaçado, deverá fazer registrar em ata para ter comprovação.

Diretor de escola também é professor e pode aderir ao movimento
Os diretores das escolas são professores e servidores públicos e, por isso, têm direito de participar da greve como qualquer outro trabalhador. Como trabalhadores, os diretores também direito de ajudar a convencer os demais colegas de trabalho a aderirem à greve, utilizando para isso meios pacíficos.

Entretanto, para evitar que as direções comprometidas com a defesa da educação pública sejam perseguidas administrativamente pela Prefeitura, a direção do SISMMAC orienta para que tomem alguns cuidados durante a greve:

As direções devem manter os portões da escola abertos. Assim, os demais funcionários da unidade poderão assinar o livro-ponto. Os professores que optarem por “furar a greve” também não devem ser impedidos de entrar na escola; o convencimento deve ser feito através do debate e da troca de ideias.

• Os cartazes produzidos para informar o início da greve, os bilhetes e demais materiais encaminhados aos pais de alunos devem ser assinados pelo coletivo de professores da escola e não pela direção. A greve é uma decisão do conjunto dos trabalhadores do magistério e é assim que deve ser apresentada para a comunidade.

As direções devem organizar reuniões do Conselho da Escola onde for possível para debater os motivos da paralisação e aprovar o apoio do Conselho à greve dos professores municipais. Essa será mais uma garantia para as direções e para os demais professores da unidade.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Na linha de frente do mundo árabe, as mulheres


Diferentemente do que se costuma difundir, no mundo árabe, o protagonismo feminino nos campos de batalha e em diversas áreas do conhecimento é histórico.

Por Soraya Misleh, em Escrevinhador
Via Portal Vermelho

As revoluções no mundo árabe vêm derrubando não só ditaduras e trazendo à tona suas relações com o império. Vêm também desconstruindo estereótipos. Entre eles, as tão frequentes quanto equivocadas generalizações em relação às mulheres árabes.

No Brasil e em várias partes do globo, a imagem transmitida por agências de notícias internacionais e mídias corporativas é de um grupo absolutamente homogêneo. São mulheres cobertas com véus, submissas, que escondem uma sensualidade intrínseca por trás de suas pesadas roupas, normalmente de cor escura. O colorido da diversificada e rica sociedade árabe é deliberadamente omitido.

O primeiro mito que as revoluções que tiveram início na Tunísia em fins de 2010 e se alastraram por diversos países colocou por terra foi de que essas mulheres jamais se colocariam na linha de frente das batalhas por direitos. Os levantes que derrubaram até agora quatro ditaduras – e continuam em curso – demonstraram que seu protagonismo foi e tem sido fundamental para pôr fim a regimes opressores.

No Egito, é comum a cena de milhares de mulheres na Praça Tahrir. Ao se congelar essa imagem, outro mito é desfeito: o de que todas elas usam véus. O senso comum, fundamentado na ideia de que toda árabe é muçulmana, é desafiado (como se não houvesse outras religiões ou nenhuma fé no seio dessas sociedades e todas as islâmicas usassem obrigatoriamente véu, o que também é uma falácia). Há mulheres cobertas, descobertas, com roupas de todo tipo, como em qualquer outra sociedade.

A ideia de que as muçulmanas estão à margem desses processos também é desmontada no curso das revoluções. A egípcia feminista Nawal El Saadawi, que pôde ser vista ao lado de outras lutadoras nas grandes manifestações na Praça Tahrir, explica em seus escritos que o Islã chega a ser mais suave no que se refere às diferenças de gênero. O que ocorre é que a religião tem sido usada como meio de dominação, mediante distintas interpretações, de modo a favorecer o grupo político hegemônico e manter a opressão de classe.

O que ainda está por ser desconstruído é a ideia de que a participação feminina em revoluções no mundo árabe é novidade. Quem elucida esse tema é Nawal. Em seu único livro traduzido para o português, A face oculta de Eva – as mulheres do mundo árabe, ela salienta: “A história tem descrito, com falsidade, muitos dos fatos relacionados ao sexo feminino. As mulheres árabes não são mentalmente deficientes, como os homens e a história, escrita por eles, tendem a afirmar, tampouco são frágeis e passivas. Ao contrário, as árabes mostraram resistência ao sistema patriarcal centenas de anos antes que as americanas e europeias se lançassem a essas mesmas lutas”.

Sistema esse que passou a predominar a partir do surgimento da noção de propriedade privada e divisão de classes, como ensina Nawal em sua obra. Em tempos ancestrais, em que predominava o nomadismo e a agricultura de subsistência, as mulheres detinham a igualdade em assuntos sociais, econômicos e na esfera política.

Destituídas dessa posição e relegadas às camadas sociais inferiores, as mulheres da região, assim como em outras partes do globo, vêm assumindo a linha de frente na oposição a esse status quo. Assim, ao longo dos séculos, têm desempenhado papel fundamental nas lutas contra o colonialismo, a dominação, por direitos, justiça.

Não poderia ser diferente: acabar com a desigualdade de gênero é bandeira crucial na transformação dessas sociedades. Nesse ponto, Nawal é categórica: “Enquanto os assuntos do Estado ou do poder administrativo forem delegados à mulher dentro de uma estrutura social de classes, baseada no capitalismo e no sistema familiar patriarcal, homens e mulheres hão de permanecer vítimas da exploração.” Mudar esse estado de coisas mantém-se na ordem do dia de muitas mulheres.

Protagonismo histórico

Em seu livro, Nawal descreve uma série de acontecimentos que não deixam dúvidas de seu protagonismo histórico em diversas áreas – nos campos de batalha, na literatura, na poesia. Ela cita diversos nomes femininos que inclusive combateram nas fileiras do profeta Maomé ou contra ele e seus seguidores, na era islâmica. As próprias esposas do profeta eram exemplos de mulheres firmes, que não abriam mão de seus direitos.

Dando um salto no tempo até o início do século 20, a escritora relata que no Egito foram as mulheres as primeiras a deflagrar greves, ocupar fábricas e marchar por direitos. Participaram ativamente na revolução nacional de 1919, contra o imperialismo britânico. No país, em 1923, foi fundada a Federação das Mulheres. Em outra revolução, em 1956, arrancaram o direito a voto.

A autora complementa: “O Egito não foi o único país árabe no qual a mulher participou ativamente na luta contra o imperialismo estrangeiro e a opressão interna. A mulher em todo o mundo árabe lutou ombro a ombro com o homem pela libertação nacional e pela justiça social.”

Na Síria, no Líbano e na Argélia, tiveram papel fundamental contra a ocupação francesa. No Iraque, também se opuseram ao imperialismo e contribuíram “para acelerar as transformações sociais”. Na Jordânia, historicamente têm “organizado a luta nas frentes sociais, políticas ou econômicas”. No Sudão, tiveram papel destacado no movimento nacional de libertação contra os ingleses. No Kuwait, na Líbia, no Iêmen, no Marrocos, têm dado sua contribuição por justiça e liberdade.

Na Palestina, foram pioneiras em protestar contra a instalação dos primeiros assentamentos sionistas ainda no final do século 19, com fins coloniais – e têm resistido aos mais de 60 anos de ocupação israelense na linha de frente. “A extensa lista de mártires serviria para encher as páginas de todo um capítulo, mas entre as mais conhecidas estão Leila Khaled, Fátima Bernaw, Amina Dahbour, Sadis Abou Ghazala e outras cujos feitos intrépidos um dia serão admirados pelas futuras gerações de jovens e mulheres.”







quinta-feira, 8 de março de 2012

O Dia Internacional das Mulheres

''A história de todas as sociedades que existiram até nossos dias tem sido a história das lutas de classes.'' (Karl Marx)



A mídia burguesa dificilmente divulga a verdadeira razão pelo qual comemora-se o dia da mulhes, se dá uma conotação meramente comercial, deixando de lado o verdadeiro espírito da comemoração, a data nunca é apontada como um dia que verdadeiramente marca o engajamento e a luta das mulheres na construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

Poucas são as pessoas que sabem o verdadeiro significado desse dia: O fato mencionado abaixo se deu no bojo do capitalismo, quando surge  a necessidade da luta de classes, luta de mulheres que além da submissão patriarcal, combateram os grilhões da escravidão assalariada.

No dia 8 de Março de 1857,  130 operárias têxteis de Nova York, insurgiram, ocuparam uma fábrica e declararam greve por melhorias nas condições de trabalho. Reivindicaram melhores salários e redução na jornada de trabalho de 16 para 10 horas.

Diante da insubordinação dessas trabalhadoras que tinham consciência de seus papeis no processo de transformação da sociedade. Os patrões optaram então por por medidas extremas, em nome da dominação e dos previlégios resolveram trancar a fábrica e incendiá-la com os trabalhadoras presas em seu interior. Anos depois, ONU resolveu declarar essa data como "o dia internacional das mulheres".

Na verdade, todo dia é dia de mulheres e homens que lutam por um mundo mais justo e igualitário.

As admiráveis mulheres do Brasil


Admiráveis mulheres brasileiras: uma homenagem para quem foi capaz de fazer a própria história...

"A alegria está na luta, na tentativa, no sofrimento envolvido e não na vitoria propriamente dita".
Mahatma Gandhi


PATRÍCIA GALVÃO
Patrícia Rehder Galvão, conhecida pelo pseudônimo de Pagu, nasceu em São João da Boa Vista (1910 – 1962) foi uma escritora e jornalista brasileira. Militante comunista teve grande destaque no movimento modernista iniciado em 1922. Foi a primeira mulher presa no Brasil por motivações políticas.

Com 18 anos, mal completara o Curso na Escola Normal da Capital (São Paulo, 1928) e já está integrada ao movimento antropofágico, de cunho modernista, sob a influência de Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral. É logo considerada a musa do movimento. Mas, em 1930, escandalizou a sociedade conservadora de então: Oswald separa-se de Tarsila e casa-se com Pagu. No aspecto político, os dois se tornam militantes do Partido Comunista.

Ao participar da organização de uma greve de estivadores em Santos Pagu é presa pela polícia política de Getúlio Vargas. Era a primeira de uma série de 23 prisões, ao longo da vida. Logo depois de ser solta, em (1933), partiu para uma viagem pelo mundo, deixando no Brasil o marido e o filho.

Em 1935 é presa em Paris como comunista estrangeira, com identidade falsa, e é repatriada para o Brasil;. Separa-se definitivamente de Oswald, por conta de muitas brigas e ciúmes. Ela retoma sua atividade jornalística, mas é novamente presa e torturada pelas forças da Ditadura, ficando na cadeia por cinco anos.

Ao sair da prisão, em 1940, rompe com o Partido Comunista, passando a defender um socialismo de linha trotskista. Integra a redação de A Vanguarda Socialista junto com seu marido Geraldo Ferraz.


MARGARIDA ALVES
Margarida Maria Alves, trabalhadora rural, presidente do Sindicato de Trabalhadores rurais de Alagoa Grande, município do Estado da Paraíba, foi covardemente assassinada por um pistoleiro, a mando dos usineiros da região do brejo paraibano.

O crime brutal aconteceu em 12 de agosto de 1983, Margarida estava em frente a sua casa com o marido e o filho, quando um matador de aluguel deu um tiro de espingarda calibre 12,em sua cabeça. Dos cinco acusados de serem os mandantes do crime, apenas dois foram julgados e, em seguida absolvidos.

As mulheres trabalhadoras rurais brasileiras iniciaram a sua organização a partir de movimentos sociais específicos. É nesse contexto que Margarida torna-se uma das mulheres pioneiras na luta pelos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras rurais no Brasil, desde então, 1973 ocupava a presidência do STR e, na época da sua morte havia movido 73 ações trabalhistas contra os latifundiários da região, desafiando o poder ali constituído.


Como símbolo de resistência e também de luta, ela nunca se rendeu às ameaças dos ricos, e era categórica em afirmar: “é preferível morrer lutando, que morrer de fome". Após a sua morte tornou-se um símbolo da existência e da resistência das mulheres trabalhadoras rurais.


LEILA DINIZ
Leila Roque Diniz, nasceu em Niterói. No dia 25 de março de 1945, morreu em 1972. Formou-se em magistério e foi ser professora do jardim da infância no subúrbio carioca. Aos dezessete anos, se apaixonou e casou-se com o cineasta Domingos de Oliveira. Seu curto relacionamento durou apenas três anos. Foi então que surgiu a oportunidade de trabalhar como atriz, tendo trabalhado em inúmeras novelas e filmes.

Pode ser considerada uma mulher à frente de seu tempo, tornou-se um símbolo irreverente da resistência à ditadura nos anos 60, com um vocabulário afiado, Leila incomodava aos mal-humorados de plantão por revelar uma fórmula alegre de vida, agindo sem hipocrisia, vergonha ou pudor, derrubando convenções e tabus. Defendia o amor livre e o prazer sexual, num tempo de machismo e conservadorismo absolutos. Além disso, foi a primeira brasileira a aparecer grávida, de biquíni, numa fotografia de revista, em 1971.

Ao dar uma entrevista ao Pasquim em 1969, escandalizou a tradicional família brasileira por falar abertamente sobre todos os assuntos, e disse: " Você pode muito bem amar uma pessoa e ir para cama com outra. Já aconteceu comigo". Essa matéria proporcionou a edição mais vendida do Pasquim em todos os tempos. E foi o estopim para a instauração da censura prévia à imprensa, mais conhecida como Decreto Leila Diniz.


Aos 27anos, ao voltar da Austrália, onde foi recebeu um premio como melhor atriz, no Internacional Film Festival, pelo desempenho no filme "Mãos Vazias", Leila Diniz morre num desastre aéreo, em viagem de volta ao Brasil. Mais tarde, seus últimos registros, documentados num cartão postal para sua filha Janaína e em seu diário, revelariam sua felicidade por ser mãe e estar em paz com a vida.


CHIQUINHA GONZAGA
Chiquinha Gonzaga, a maestrina do Brasil

Francisca Edwiges Neves Gonzaga foi a primeira compositora da música popular brasileira, autora de duas mil composições e abolicionista. Nasceu no dia 17 de outubro de 1847, na cidade do Rio de Janeiro.


...
Aos 16 anos, foi forçada pelos pais a se casar com Jacinto Ribeiro do Amaral, um oficial da Marinha mercante com quem teve três filhos: João Gualberto, Maria do Patrocínio e Hilário.

O encontro de Chiquinha Gonzaga com o meio boêmio carioca aconteceu com o fim do seu casamento. Como uma mulher separada no século XIX era uma aberração na sociedade, Chiquinha pagou um preço alto. Foi expulsa de casa por seu pai que, a partir daquele momento, renegou sua paternidade. Levou consigo apenas o filho mais velho, João. Maria foi criada pela avó materna e Hilário, por uma tia.

Em 1877, estreou como compositora com a polca "Atraente", que foi publicada pela editora de Joaquim Antonio Calado, amigo que a ajudou a ingressar no universo musical. Com ele formou uma dupla que foi precursora do choro ou chorinho. Como maestrina, a estréia aconteceu com a opereta "A Corte na Roça", em 1885.

Ao lado da carreira de maestrina, compositora e pianeira, dedicou-se também às campanhas abolicionista e republicana. Chiquinha vendia suas músicas de porta em porta e, com o dinheiro obtido, libertou o escravo Zé da Flauta. Após a abolição da escravatura, compôs um hino em homenagem à princesa Isabel. Na campanha republicana, protestava contra a monarquia em locais públicos, utilizando-se do seu prestígio para propagar a idéia.

Chiquinha é a autora da primeira marcha carnavalesca do país, "Ô Abre-Alas", composta em 1899. Faleceu em seu apartamento, no dia 28 de fevereiro de 1935, antevéspera de Carnaval.
EM CONSTRUÇÃO...

sexta-feira, 2 de março de 2012

VIOLÊNCIA E EDUCAÇÃO



Estamos experienciando atônitos tempos de barbárie, de flagrante negação da alteridade. O homem civilizado – homo sapiens - e cibernetizado – homo cyber - estereotipou-se, paradoxalmente, num outro eu estranho de si mesmo. Povoam as consciências profundas incertezas quanto à capacidade humana de encontrar a razoabilidade da vida, buscar a atitude sensata, sondar o recôndito valor de sua existencialidade. O que nos deixa em letargia e desolação é a incerteza inexorável de uma eventual restauração da estrutura ontológica do indivíduo. Creio que a perda da dimensão do outro, tenha afastado o homem de sim mesmo. Uma existência, digo, humana, só se reconhece na presença de outra existência, fora disso o homem não saberia de si, de sua facticidade, historicidade.

Por Sótero Araújo Medrado, via Caros Amigos

Atrocidades

"Nada mais se fala senão em horrendas atrocidades do humano contra o humano. A vida tornou-se impossível. Há insuficientes ecos de defesa em favor da vida. Mas há muito mais eficiência na acusação contra ela"


A escalada da violência perpetrada pelo homem em todo mundo tem pautado diuturnamente os noticiários nacional e internacional. Nada mais se fala senão em horrendas atrocidades do humano contra o humano. A vida tornou-se impossível. Há insuficientes ecos de defesa em favor da vida. Mas há muito mais eficiência na acusação contra ela. A vida vem se despotencializando, nadificando-se. A existência do outro, assim como a do algoz, que a natureza levou bilhões de anos para engendrar, é abruptamente ceifada por atos tresloucados de bestialidade, que espalha dor e cega qualquer tentativa de compreensão desses desmandos. Assistimos, assim, o desequilíbrio de uma ordem (Razão) implícita a toda natureza, que governa o universo segundo o signo de uma justa medida. A falta de discernimento por parte do homem em face da existência de uma consciência cósmica, que os gregos chamavam de LOGOS e os latinos de ratio, vem nos empurrando ao caos inicial, onde não havia ordem (bom senso), mas a desorientação de corpos cegos a vagar no espaço.

Natureza x razão

Invocar o estatuto natural do homem, a sua animalidade, a sua função instintiva de alimentação, reprodução e conservação, como fundante de suas ações de topor e estupenda agressão contra o seu igual, não me parece razoável. Que a violência assenta algumas de suas raízes na base natural, não há dúvida. Mas a animalidade por si só não é determinante da desordem do homem. A necessidade do ser-da-razão e a resposta dada a esta vai determinar o seu aspecto de negatividade ou positividade, evidenciando o seu componente de violência. A busca desmedida para satisfazer desejos produz uma potencialidade negativa, que está na ordem da sua aquisição ou não. A satisfação e a insatisfação são a dualidade, no interior da qual se efetiva o problema da violência.

Mais do que a natureza, o dado da razão dotou o homem de autoconhecimento e valores, como virtude, moral e sabedoria, o que pode ser confirmado em Sócrates e Platão. Assim, conferiu ao homem a capacidade volitiva e a liberdade de escolha. O homem é o único animal que sabe que sabe. Sabe o que quer e mais que isso, o que não quer. Sabendo o que não quer, ele escolhe, decide e se projeta para o que poderá querer, seguro de que pode sempre mais. A crença no possível é tarefa que o homem não deve postergar. É precisamente nesse movimento, que o homem faz a passagem da necessidade à escolha, donde se operacionam os sentimentos de contentamento e descontentamento, "cheio ou vazio”, "falta ou completude", que a depender do saciar-se ou não, produz a violência.

Cartesianismo

Na época, século XVI, a res-cogitans, pensada por Descartes, foi apresentada como solução para o conhecimento e os problemas humanos, a extensão era só a verificabilidade do pensado (res-extensa= a matéria extendida no espaço, inclusive o meu corpo). O cartesianismo reduziu o homem a um dualismo psicofísico, protagonizado por um racionalismo que se estabeleceu enquanto critério de verdade. O Cogito, Ego Sum cartesiano aprisionou o homem no pensamento, assim como Sigmund Freud o encarcerou no inconsciente. No primeiro, temos um homem cuja ações são dirigidas por um racionalismo exacerbado e uma mentalidade mecânica da vida. Aqui o mundo já está dado, não cabendo mais lugar para imprevisibilidade, o novo. No segundo, as ações do homem são explicadas pela força residual do passado, enquanto conteúdo do inconsciente, que determina as suas atitudes. Já para Karl Marx, a causa do sofrimento do homem estava nas relações de trabalho. Mudando a lógica trabalho x capital, o homem estaria salvo. Onde está de fato o problema do homem? Será que a razão sozinha pode nos apontar uma saída? E o inconsciente, o que tem a contribuir? Ou mudando o modelo de produção econômica com ênfase no capital, para um outro com acento no social, redimiria o homem?

"A violência reside na tensão entre a necessidade e a busca da satisfação. Ela não está somente na carência, mas também na abundância"


Mutatis mutandi, problema da violência não deve passar ao largo do âmbito da razão. Não se postula aqui forjar o homem ideal, mas garantir a sua possível razoabilidade. Por outro lado, abandoná-lo nos braços de Gaia, como desejou Nietzsche, seria imergi-lo na combustão da imanência sem transcendência.

Necessidade x desejo

Desta forma, a violência reside na tensão entre a necessidade e a busca da satisfação. Ela não está somente na carência, mas também na abundância. Aprendemos com o estudo do desenvolvimento dos povos que as nações quando atingem altos índices de desenvolvimento e bem-estar, ressentem da sensação de inércia diante da falta de expectativa e prospectiva de vida, quando não se sabe mais o que buscar. O que está cheio já não recebe mais, carecendo da falta do receber. Este sintoma da vazão ao tédio, o egoísmo e a solidão. Aqui, o homem cercado de tudo, vivência o seu mais completo niilismo, o nada, a impotência de não ter mais nada a necessitar, senão a necessidade de esvaziar o corpo cheio, para sentir-se novamente desejoso de enchê-lo.

Não somos imparciais quando dizemos que a violência só vem dos morros, das ruas, das drogas, ou seja, de onde mais sentimos a ausência do Estado?! Mas o que dizer daquela violência oriunda de pessoas mais instruídas e abastadas? Jovens de classe alta, embriagados, drogados ou não, socialmente saciados dos seus apetites mais refinados, não tendo mais o que possuir, apóiam-se em seus carrões para dar evasão a seus desejos fúteis e desmedidos, fazendo da velocidade a morte dos seus semelhantes. Ainda, o que dizer de jovens ricos que ateiam fogo em mendicantes, índios e trabalhadores? O que dizer da escalada dos homicídios que assolam o Brasil? Pais que vitimam filhos indefesos e filhos que tiram as vidas dos seus genitores, etc.

Insanidades

É sabido que a violência se camufla em múltiplas formas e graus. A violência física é o ápice da insanidade do homem em se afirmar pela força e o poder de dominar e/ou eliminar o outro. As outras manifestações de violência às vezes podem ser potencialmente mais devastadoras do que a física, como por exemplo, a humilhação pelo destrato, a discriminação de qualquer natureza, a indiferença, o abandono, as desigualdades, os assédios, a exploração sexual e do trabalho infantil, a violência doméstica, enfim as nossas intolerâncias políticas e religiosas.


"O papel da Educação é uma das vias fundamentais na potencialização do homem em discernir sensatamente o objeto de suas necessidades e aí poder fazer as suas escolhas com bom juízo"


Em síntese, banir a violência não é uma tarefa possível, mas só ponderável - remediável pelo restabelecimento da sensatez. Aqui o papel da Educação é uma das vias fundamentais na potencialização do homem em discernir sensatamente o objeto de suas necessidades e aí poder fazer as suas escolhas com bom juízo. Saber julgar ou julgar com parcimônia é a condição para vida em harmonia e respeito aos semelhantes, o que quer dizer fazer-se outro enquanto outro - se colocar no lugar do outro. Quem se põe no lugar do outro se faz o MESMO, antevendo a sensação que poderia causá-lo.

Leitura

Na esteira da discussão sobre a violência, quero sublinhar aqui, o inadiável incentivo à leitura nas escolas de ensino fundamental e médio. A leitura é um vetor de desenvolvimento cognitivo e de universalização do homem. Pela leitura, o homem descortina os meandros do conhecimento, de um mundo fantástico de infinitas possibilidades. Por esta, o homem se redimensiona e liberta-se da condição limite e limitante de sua capacidade intelectual e social.

Uma nova têmpera de homem, forjado pelo ‘fogo’ da leitura e a alegria de viver e fazer viver, é tudo que perseguimos, no escopo da humanização do homem, que deve ultrapassar-se a si mesmo, em razão da ressignificação de sua existência





Sótero Araújo Medrado é professor da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) e coordenador do Café Phylo

Lucio Dalla, cantor italiano morre aos 68 anos.

Lucio Dalla (1943-2012)
Lucio Dalla, cantor e compositor italiano faleceu em Montreux nesta quinta-feira(01). Um dos mais célebres músico italianos, com mais 50 anos de atividade artística, morre aos 68 anos em consequencia de um enfarto fulminante.

Nascido em Bolonha em 04 de março de 1943, era musicista com formação de jazz, mundialmente reconhecido como autor de músicas compostas em fase madura: sua produção musical atravessou muitas fases, desde a estação beat à experimentação rítmica e musical, até a canção de autor, indo além do limite das letras e canções italianas.

Página oficial:
http://www.luciodalla.it/


terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Os EUA não têm imprensa e televisão independentes....


A ideia de que os EUA são uma democracia, não tendo, em absoluto, uma imprensa que funcione como um observador atento, é risível. Mas os média [da mídia] não estão a rir. Estão mentindo. Tal como o Governo, cada vez que os grandes meios de comunicação abrem a boca ou escrevem uma palavra, estão a mentir. De fato, os grandes senhores corporativos pagam aos seus empregados para mentir. É esse o seu trabalho. Se disserem a verdade, passam à história, como foi o caso de Buchanan e Napolitano e Helen Thomas...


Veja a matéria na íntrega...>>>Grupo Beatrice: Os EUA não têm imprensa e televisão independentes....:

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Quais os rumos do PSDB para as eleições de 2012 ?

Na segunda-feira, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso concedeu uma entrevista ao blog do The Economist. Na terça-feira a entrevista foi reproduzida pelos principais jornais.

Nela, FHC rompe com limitações emocionais, reconcilia-se com sua biografia e ajuda a salvar o que resta do PSDB...

Leia mais aqui. >>>EduFuturo: Quais os rumos do PSDB para as eleições de 2012 ?:

Imagem: Lattuf

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Jornalistas da Rede Globo foram expulsos de Copacabana pelo povo



Os repórteres da Rede Globo de TV foram pressionados a deixar a manifestação dos policiais e bombeiros realizada, neste domingo, em frente ao Copacabana Palace, na Zona Sul do Rio. Centenas de pessoas cercaram as equipes de jornalismo da TV Globo e da Globonews e passaram a gritar palavras de ordem, o que de fato impediu que seguissem no local.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Exército israelense prende deputado palestino do Hamas em Belém

O Exército israelense deteve nesta sexta-feira (20) Khaled Ibrahim Tafesh deputado palestino do Hamas na cidade cisjordaniana de Belém, horas depois da detenção na noite de quinta-feira do presidente do Parlamento, Aziz Dueik, em um posto de controle nas proximidades de Ramala.

Ahmed Bahar, um dos porta-vozes do Hamas, considerou nesta sexta-feira que a detenção de Dueik e de Tafesh foi realizada para impedir a reconciliação entre as facções palestinas e pediu à Organização para a Libertação da Palestina (OLP) o fim das conversas que mantém com Israel na Jordânia.

"O que ocorreu requer que o presidente, Mahmoud Abbas, declare o fim imediato das negociações em Amã por respeito ao nosso povo, ao Parlamento e seu presidente", disse Bahar em Gaza.

O dirigente islamita afirmou que deve existir "uma firme mensagem à ocupação (Israel) de que seus contínuos crimes não vão ter cobertura por parte da Autoridade Palestina e que não ficarão sem resposta".

Por: Agência EFE
Leia matéria na íntegra..>http://br.noticias.yahoo.com/ex%C3%A9rcito-israelense-prende-deputado-palestino-hamas-bel%C3%A9m-144604382.html

Vada a bordo, Serra Schettino!

Depois de meses de pressão para que entrasse na disputa pela Prefeitura de São Paulo, o ex-governador José Serra (PSDB) reuniu o seu grupo de aliados mais próximos e informou em tom solene que não será candidato na eleição municipal deste ano.

Deu no Estadão:

Embora, em se tratando do que Serra diz, a única verdade que se pode afirmar conter no que fala é a de que é falsa cada palavra, talvez se possa comparar sua atitude com a do capitão italiano do Costa Concórdia, o transatlântico naufragado nas costas da Itália.

Não importa que Alckmin e Aécio esfreguem as mãos diante da possibilidade de que ele, candidato, perca e afunde. A nau tucana aderna em São Paulo, seu porto seguro, Kassab procura desesperadamente um colete salva-vidas petista, reina a confusão a bordo do Tucanic.

E o capitão do Tucanic, embora estropiado depois de ter apanhado de um “poste” – não é, Montenegro? – diz que vai descer à terra para apreciar o naufrágio sem molhar os pés. Entrega a Alckmin o supremo comando e diz: “carregue seu candidato”.

Infelizmente, Fernando Henrique Cardoso não tem a estatura moral daquele capitão da guarda costeira italiana e não pode dar um grito: Vadda a bordo, catzo!

Alckmin, reinando sobre os destroços, dirá que que os salvados do naufrágio são só seus.
E a elite paulista, tão orgulhosa e soberba com os pobres, irá negociar os despojos com Minas, numa antítese de Borba Gato e Raposo Tavares.

Parte dela, é claro, porque a São Paulo que sabe ler no seu brasão o latim “non ducor, duco”, o “não sou conduzido,conduzo”, não se afogará como o tucanato. Mesmo que seja num cruzeiro de luxo.

Postado por Fernando Brito
No Blog O Tijolaço

Estados Unidos vão facilitar entrada de brasileiros e chineses

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, assinou hoje (19) ordem executiva com medidas para estimular o turismo no país. Quem sai ganhando é o turista brasileiro. De olho na classe média do Brasil, da China e Índia, o governo norte-americano prevê simplificar e reduzir em 40% o tempo de concessão de vistos para turistas dos três países, segundo informações divulgadas no site oficial da Casa Branca, sede do governo dos Estados Unidos.

A meta é entrevistar 80% dos candidatos em até três semanas após o pedido de visto. Outra ideia em teste é isentar viajantes brasileiros e chineses da entrevista para concessão do visto, desde que sejam classificados como de “baixo risco” pelo Departamento de Segurança, como em caso de pedido de renovação do documento.

Com as iniciativas de estímulo ao turismo, Obama espera movimentar a economia do país, que enfrenta dificuldades. O turismo representa 2,7% do Produto Interno Bruto (PIB) e é responsável por 7,5 milhões de empregos nos Estados Unidos, conforme dados de 2010. Calcula-se a criação de 1 milhão de empregos na próxima década, se mais turistas estrangeiros escolherem os Estados Unidos como destino de viagem.

“A cada ano, 10 milhões de turistas de todo o mundo visitam a América. Quanto mais pessoas visitam a América, mais norte-americanos voltam ao mercado de trabalho”, disse Obama, no parque da Disney World, na Flórida.

Os chineses e brasileiros estão entre os turistas que mais gastam, de US$ 5 mil a US$ 6 mil por viagem. Em 2011, os consulados americanos emitiram 1 milhão de vistos na China e 800 mil no Brasil, crescimento de 34% e 42% respectivamente.

Fonte: Agência Brasil
Via: Portal Vermelho

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

África, um continente sem história?

Não há região do mundo mais vítima da naturalização da miséria do que a África. Na concepção eurocêntrica, bastaria cruzar o Mediterraneo para se ir da “civilização” à “barbárie”. Como se a África não tivesse história, como se seus problemas fossem naturais e não tivessem sido resultado do colonialismo, da escravidão e do neocolonialismo.

Continente mais pobre, mais marcado por conflitos que aparecem como conflitos étnicos, região que mais exporta mão de obra – a África tem todas as características para sofrer a pecha de continente marcado pelo destino para a miséria, o sofrimento, o abandono.

Depois de séculos de despojo colonial e de escravidão, os países africanos acederam à independência política na metade do século passado, no bojo da decadência definitiva das potências coloniais europeias. Alguns países conseguiram gerar lideranças políticas nacionais, construir Estados com projetos próprios, estabelecer certos níveis de desenvolvimento econômico, no marco do mundo bipolar do segundo pós-guerra.

Mas essas circunstâncias terminaram e o neocolonialismo voltou a se abater sobre o continente africano, vítima de novo da pilhagem das potências capitalistas. A globalização neoliberal voltou a reduzir o continente ao que tinha sido secularmente: fornecedor de matérias primas para as potências centrais, com a única novidade que agora a China também participa desse processo.

Mas o continente, que nunca foi ressarcido pelo colonialismo e pela escravidão, paga o preço desses fenômenos e essa é a raiz essencial dos seus problemas. Mesmo enfrentamentos sangrentos, atribuídos a conflitos étnicos, como entre os tutsis e os hutus, se revelaram na verdade expressão dos conflitos de multinacionais francesas e belgas, com envolvimento dos próprios governos desses países.

Hoje a África está reduzida a isso no marco do capitalismo global. Salvo alguns países como a Africa do Sul, por seu desenvolvimento industrial diferenciado e alguns países que possuem matérias primas ou recursos energéticos estratégicos, tem um papel secundário e complementar, sem nenhuma capacidade de assumir estratégias próprias de desenvolvimento e de superação dos seus problemas sociais.

A globalização neoliberal acentuou a concentração de poder e de renda no centro em detrimento da periferia. Os países emergentes – em particulares latino-americano e alguns asiáticos – conseguiram romper essa tendência, mas não os africanos, porque não conseguiram eleger governos que rompessem com a lógica neoliberal predominante.

O novo ciclo da crise capitalista e a primavera no mundo árabe podem trazer novidades que permitam a países africanos somar-se aos governos progressistas da América Latina.

Por Emir Sader
Via Carta Maior

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Aloizio Mercadante vai assumir o Ministério da Educação

Foto: Antonio Cruz/ABr
O ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, vai substituir Fernando Haddad no Ministério da Educação. A informação foi dada pela ministra-chefe da Secretaria de Comunicação Social, Helena Chagas. Para o lugar de Mercadante no Ministério da Ciência e Tecnologia, irá o atual presidente da Agência Espacial Brasileira, Marco Antônio Raupp.

“A presidenta da República, Dilma Rousseff, agradece o empenho e a dedicação do ministro Haddad à frente de ações que estão transformando a educação brasileira e deseja a ele sucesso em seus projetos futuros. Da mesma forma, ressalta o trabalho de Mercadante e Raupp nas atuais funções, com a convicção de que terão o mesmo desempenho em suas novas missões”, diz a nota divulgada pela Secom.

A posse e a transmissão de cargo dos novos ministros serão realizadas no próximo dia 24 de janeiro.
Segundo Helena Chagas, tanto o novo ministro quanto Mercadante e Haddad irão participar da reunião ministerial marcada para 23 de janeiro.

Com informação do Blog do Planalto.

Presidente do Uruguai almoça com Lula em São Paulo

Heinrich Aikawa/Ins​tituto Lula
O presidente uruguaio, José Mujica, almoçou nesta terça-feira (17) com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O encontro começou às 13h horas no hotel Sofitel, em São Paulo.

Mujica, que está de férias e é amigo de Lula, afirmou à imprensa, no final do encontro, que veio ao Brasil para visitar “esse lutador do Brasil e da América Latina por tanto e tanto tempo”. O presidente estava acompanhado da primeira-dama e senadora uruguaia Lucía Topolansky.

Também participaram do almoço o embaixador do Uruguai no Brasil, Carlos Amorín, e o diretor do Instituto Lula e ex-ministro Luiz Dulci.

De acordo com Mujica, eles conversaram sobre o tratamento do ex-presidente contra o câncer e seus planos para o futuro, em especial os projetos de integração da América Latina.

“Os povos não se dão conta da importância concreta da integração para a sua própria vida. Talvez a China não precise de integração, mas nós precisamos. Essa foi a preocupação de Lula, e disso que falamos”, afirmou.

O presidente Uruguaio se disse otimista em relação aos rumos da região. “Na América do Sul estamos vivendo um momento que nunca tivemos. Apesar de todas as dificuldades, nunca sonhamos em ser uma América Latina com a força que estamos tendo hoje.”

Segundo Mujica, o otimismo é compartilhado por Lula, que expressou a ele o “enorme afeto e confiança” que nutre pela presidenta Dilma, além de afirmar ao presidente uruguaio que vê um cenário positivo para o Brasil para a e América Latina, com estabilidade política e social.

Sobre a saúde do ex-presidente, Mujica disse que ele “está bem de cabeça e do coração, com a perspicácia e alegria de sempre”.

Fonte: Assessoria de Imprensa/Instituto Lula
Via: Portal Vermelho

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Contra a crise, Grécia vai alugar sítios arqueológicos


Numa medida que deve deixar muitos gregos e estudiosos horrorizados, o Ministério da Cultura da Grécia informou nesta terça-feira que vai abrir alguns de seus mais estimados sítios arqueológicos para empresas de publicidade e de outros setores.


O Ministério disse que a medida é uma formas sensata de ajudar a "facilitar" o acesso às ruínas gregas e que o dinheiro gerado será usado na manutenção e monitoramento dos locais. O primeiro local a ser aberto será a Acrópole.


Iniciativas como essa são, há décadas, condenadas por arqueólogos como um sacrilégio. Mas o Ministério da Cultura disse que o aluguel de sítios históricos será sujeito a condições rigorosas.


De acordo com instruções ministeriais datadas do final de dezembro, uma empresa comercial pode alugar a Acrópole para que fotografias profissionais sejam feitas no local por € 1.600 por dia. Manifestantes também poderão alugar locais históricos.


A Grécia precisa de cada euro que conseguir. Os cofres públicos estão vazios e o país luta para evitar um default histórico em março. A Grécia recebeu ajuda da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional em maio de 2010 e está no processo para receber um segundo pacote de resgate, embora enfrente problemas com credores privados para reduzir sua enorme dívida.


O uso comercial de locais arqueológicos era, até agora, responsabilidade do Conselho Central de Arqueologia, que é extremamente criterioso na permissão de acesso.


Nas últimas décadas, apenas um seleto grupo de pessoas, dentre eles a cineasta Nia Vardalos e o diretor norte-americano Francis Ford Coppola receberam permissão para usar a Acrópole, enquanto a maioria dos pedidos para gravação de filmes e comerciais foi recusada.


Com informações do Dow Jones
Via: Economia&Negócios/Estadão







domingo, 15 de janeiro de 2012

Governo restringe entrada de haitianos

Ministro da Justiça José Eduardo Cardozo. Foto: Ag. Câmara
As embarcações que chegam do Peru atravessam o Rio Solimões e alcançam o lado brasileiro, aparentemente sem problemas. O preço da viagem: 3 mil dólares, pagos a “coiotes” (traficantes de pessoas) que prometem uma vida de oportunidades no Brasil.

A presença dos haitianos em Tabatinga (52 mil habitantes) e de Brasileia (22 mil habitantes)mudou a paisagem das duas cidades que não tem a infraestrutura para atender as necessidades de tanta gente.

Na terça-feira (10) o governo federal anunciou uma série de medidas após reunião entre a presidenta Dilma Rousseff e quatro ministros. Uma das medidas pretende regularizar a situação de haitianos que já estão no Brasil, mas pretende inibir o crescente movimento migratório ao País.

Para conter o fluxo de deslocamento de haitianos ilegais ao Brasil, a presidência determinou que a partir de agora só serão aceitos os haitianos que tenham visto concedido pela Embaixada do Brasil no Haiti. Quem estiver em situação irregular poderá ser deportado.

Os vistos permitirão a permanência no Brasil por cinco anos para quem vier para atividade de trabalho regular, segundo o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo...

Leia a matéria completa...>Governo restringe entrada de haitianos | Carta Capital

Leia também...>o-haiti-e-aqui

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Ahmadinejad diz que única opção que resta ao capitalismo "é matar"

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou nesta quarta-feira (11) em Havana que o capitalismo "está em decadência" e em "um beco sem saída" e que a única opção que resta ao sistema "é matar".

"Quando já lhe falta lógica recorrem às armas para matar e destruir. Hoje em dia a única opção que restou ao sistema capitalista é matar", disse Ahmadinejad em uma conferência na Universidade de Havana, onde recebeu o título "doutor honoris causa" em Ciências Políticas.

Em seu discurso, o presidente iraniano não fez nenhuma menção ao atentado de Teerã no qual morreu hoje o cientista Mustafá Ahmadi Roshan nem às acusações da comunidade internacional sobre o programa nuclear de seu país.

Preferiu reivindicar uma nova ordem mundial baseada na justiça e que respeite todos os seres humanos e encorajou Cuba e seus universitários a trabalharem ao lado de seu país para criá-la.

"Temos que estar alertas. Se nós não planejamos a nova ordem do mundo serão os herdeiros dos donos de escravos e os capitalistas vão controlar e impor o novo sistema", acrescentou.

Ahmadinejad realizou hoje uma visita oficial a Cuba, a terceira escala dentro da viagem latino-americana que já passou por Venezuela e Nicarágua e que continuará no Equador.

O iraniano se reunirá hoje mesmo com o presidente Raúl Castro, segundo a agenda oficial divulgada em Cuba e é provável que encontre também seu irmão Fidel, mas a informação não foi confirmada por nenhuma fonte oficial na ilha.

O périplo latino-americano de Ahmadinejad acontece no momento em que parte da comunidade internacional intensifica sua pressão contra o programa nuclear iraniano pelo temor que pretenda desenvolver um arsenal atômico, algo que o Irã nega veementemente.

A chegada de Ahmadinejad à ilha coincidiu com a notícia do atentado contra o cientista iraniano Mustafá Ahmadi Roshan, um dos responsáveis pela usina nuclear de Natanz, a maior do país, que morreu hoje no norte de Teerã na explosão de uma bomba instalada em seu carro.

Com informações da Agência EFE
Via Portal Yahoo

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Bento XVI - O Papa que não é pop.

Até  hoje,  o  seu   pontificado  mais  perdeu  que  aproveitou oportunidades. Perdeu-se a oportunidade de reaproximação com as igrejas protestantes; de uma reconciliação duradoura com os judeus - em vez disso, recolocou bispos notoriamente antissemitas e cismáticos em comunhão com a Igreja; de um diálogo com muçulmanos numa atmosfera de confiança mútua; de reconciliação com os povos indígenas colonizados da América Latina; de ajudar os povos da África permitindo o uso do controle da natalidade para combater a superpopulação e preservativos para combater a disseminação do HIV. Perdeu-se a oportunidade de fazer do espírito do Concílio Vaticano II a bússola de toda a Igreja Católica.

Este último ponto, respeitáveis bispos, é o mais sério de todos. Por diversas vezes, este papa acrescentou qualificativos aos textos conciliares e os interpretou contra o espírito dos padres do Concílio:

- Trouxe os bispos da tradicionalista Sociedade Pio X de volta à Igreja sem nenhuma precondição;

- Promove a Missa Tridentina medieval por todos os meios possíveis;

- Recusa-se a pôr em vigor a reaproximação com a Igreja Anglicana, exposta em documentos oficiais pela Comissão Internacional Anglicana-Católica Romana;

- Reforçou ativamente as forças anticonciliares na Igreja nomeando funcionários reacionários para postos-chave na Cúria, enquanto nomeava bispos reacionários por todo o mundo...


Leia matéria na íntegra... >>>Quem é Bento XVI - Epístola da Desobediência:

Piñera apaga dos livros de história o que Pinochet escreveu com sangue

Ao apagar das luzes de 2011, o governo direitista de Sebastian Piñera introduziu sorrateiramente uma mudança nos livros de história, na parte referente aos obscuros anos de Pinochet. Nos últimos 20 anos, ao menos duas gerações de estudantes chilenos aprenderam que o governo de Pinochet foi uma ditadura, mas, no final do ano passado, o governo de Piñera decidiu mudar esse conceito pelo de “regime militar”. O artigo é de Christian Palma.


A convivência ideológica no Chile é como uma delicada taça do melhor cristal: qualquer movimento inesperado e brusco ameaça quebrá-la. Isso ficou manifesto na última quarta-feira, quando se conheceu a mudança sorrateira realizada pelo governo de direita de Sebastian Piñera nos livros de história, na parte referente aos obscuros anos do ditador Pinochet. Nos últimos 20 anos, ao menos duas gerações de estudantes chilenos aprenderam que o governo de Pinochet foi uma ditadura, mas, no final do ano passado, o governo de Piñera decidiu mudar esse conceito pelo de “regime militar”.

Embora essa diferença não seja algo determinante no mundo acadêmico especializado em Ciências Políticas e historiografia, para a população chilena a mudança é diferente: representa a violação de um pacto com a memória história onde não há espaço para eufemismos. O governo de Pinochet foi uma ditadura com todas as letras, uma das mais sangrentas e repressivas da América Latina, onde a sociedade não pode decidir sobre o desenvolvimento que queria e teve que viver sob um terrorismo de Estado que a impediu de participar nas grandes decisões econômicas, políticas e sociais.

O pior de tudo é que as condições impostas pela ditadura pinochetista ainda perduram no Chile, com uma elite dominante que se nega a dar maiores espaços de participação aos trabalhadores. Por isso, a mudança arbitrária do governo foi considerada uma agressão para milhões de chilenos. Não se pode falar de regime militar, pois é um significado neutro para tantos anos de opressão e exploração.

Os chilenos tampouco esquecem que a mudança de ditadura para regime militar foi realizada em silêncio, a portas fechadas (como também ocorria nos tempos de Pinochet), quando o ano de 2011 estava terminando e no contexto das massivas mobilizações estudantis que exigem uma educação pública de qualidade e gratuita.

O problema veio a público no dia 9 de dezembro, quando o Conselho Nacional de Educação do Chile aprovou a proposta do governo para reduzir as horas de aulas de história e geografia do currículo escolar. No documento a expressão “ditadura militar” é substituída por “regime militar”, o que produziu um efeito borboleta que incendiou os ânimos dos chilenos.

Alejandro Goic é um dos conselheiros do Ministério da Educação. “Ninguém se apercebeu da mudança. Nem os especialistas, nem os conselheiros se deram conta quando se discutiu. É um tema sensível. E me parece que é preciso manter o termo ditadura. As ditaduras devem ser chamadas de ditaduras e as democracias de democracias.

Mas a água chegou ao rio, como se diz no Chile. O novo ministro de Educação, Harald Beyer, o terceiro da pasta em seis meses, recebeu fortes críticas, justificando a mudança de conceito e colocando mais gasolina no fogo: “As expressões são mais gerais...a de regime militar que a de ditadura”. Além disso, acrescentou que o debate “não tem a ver com apoiadores nem detratores, tem a ver com expressões que se usam habitualmente nestes currículos em distintas partes do mundo”. A frase foi dita no Palácio de La Moneda, o mesmo lugar onde morreu o ex-presidente Salvador Allende.

A polêmica também chegou ao Congresso chileno, onde como era de se esperar, o rechaço foi contundente por parte de quem sempre chamou os 17 anos de Pinochet de ditadura, enquanto que se registraram matizes entre parlamentares governistas: aqueles que procuram tomar distância de Pinochet rechaçaram a medida, e aqueles que ainda o defendem, aplaudiram.

Cristián Monckeberg, deputado direitista do partido Renovação Nacional, de onde saiu o presidente Sebastián Piñera, condenou a mudança semântica: “Se antes se chamava ditadura e agora passa a se chamar regime militar, mudança feita por alguns técnicos encerrados em um escritório, isso não vai mudar o curso da história. Eu prefiro que essa escolha de nomes seja feita pelos historiadores, os que escrevem, os que interpretam”, afirmou.

Mas na direita chilena ainda restam políticos que trabalharam para Pinochet, como o deputado Alberto Cardemil, também da Renovação Nacional, que defendeu a mudança de palavra. “É um esforço técnico e profissional do Ministério da Educação de dar uma versão equilibrada de nossa história”, disse, acrescentando que “os países precisam, com o passar do tempo, revisar sua história para dar uma versão equilibrada”.

A cereja do bolo foi colocada pelo deputado da União Democrata Independente (partido de ultra-direita), Iván Moreira, que sempre foi convidado à casa da família Pinochet. “O fato de se usar o termo ditadura é uma forma de estigmatizar um governo que entregou democraticamente o poder e isso não ocorreu em nenhuma ditadura do mundo, só no Chile, o que fala muito bem do espírito democrático do país”.

No twitter, a mudança de palavra fez explodir a rede social. O grupo de música chilena e reconhecido opositor a Pinochet, Inti Illimani, escreveu: “Voltam os eufemismos perversos da direita...FOI DITADURA!!! E PONTO. Pão, pão e vinho, vinho. PONTO!”.

Tradução: Katarina Peixoto
Via Carta Maior

‘Ainda não caiu a ficha’, diz o estudante agredido na USP por policiais


Nicolas Menezes Barreto, estudante de Ciências da Natureza na Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP, foi abordado com tapas por um policial militar que participava de operação para fechar a antiga sede do Diretório Central dos Estudantes (DCE). Um vídeo (clique aqui para ver) que circula na internet registrou a cena, inclusive o momento em que o PM aponta a arma para o estudante.

Horas depois da agressão, ele ainda tentava entender o que aconteceu. Segundo ele, a cena foi apenas mais um episódio de um histórico de “opressão” promovido pela Polícia Militar na Universidade. “Eu sou o bode expiatório dessa vez, mas tem um histórico de agressões da USP nos últimos anos”, disse ele.

O caso pode ser enquadrado como intolerância ou racismo, segundo os estudantes que presenciaram o episódio.

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Chávez: Somos livres, já não somos colônias de nenhum império

O presidente da República Bolivariana da Venezuela, Hugo Chávez Frías, recebeu nesta segunda-feira (9) no Palácio Miraflores seu colega iraniano, Mahmud Ahmadinejad.

Depois das honras militares de praxe, o chefe de Estado venezuelano deu as boas vindas ao “irmão Ahmadinejad, a ti e a tua delegação e, por intermédiio de vocês, ao povo irmão e heroico do Irã”.

Chavez refutou as acusações feitas a partir dos Estados Unidos sobre as relações entre o Irã e a Venezuela.

“Acusam-nos de belicistas, mas não somos belicistas, o Irã não invadiu nenhum país, a Revolução Islâmica do Irã não invadiu ninguém, nem a Revolução Bolivariana, não lançamos uma bomba contra quem quer que seja, lembrou o presidente.

“Quem invadiu países e povos durante 100 anos e mais? Quem lançou mísseis e milhares de bombas sobre povos indefesos, incluindo bombas atômicas? Quem provocou massacre e genocídio?”

“Nós somos parte dos povos que foram agredidos e continuamos sendo agredidos e nos pretendem apresentar como agressores, mas estamos nas lutas pelo equilíbrio do mundo, pela paz e a salvação do mundo”, disse.

E ironizou: "Os porta-vozes do imperialismo norte-americano dizem que Ahmadinejad está na Venezuela porque neste mesmo instante vamos, ele e eu, quase a partir dos porões de Miraflores, afinar a pontaria rumo a Washington, porque vão sair uns mísseis, porque vamos atacar Washington. É quase isto o que estão dizendo. É para rir mas também para ficarmos alertas”.

Chávez disse que sua reunião com o líder iraniano é para seguir fazendo a guerra “contra a fome, a miséria e o subdesenvolvimento”.

O chefe de Estado venezuelano ressaltou o trabalho conjunto dos povos venezuelano e iraniano e a luta de ambas as nações pela autodeterminação dos povos, o respeito ao direito internacional e o respeito às nações do mundo que já “não querem mais o imperialismo”.

Chávez destacou que a Venezuela seguirá construindo relações fraternas de cooperação com o governo do Irã para construir um mundo novo, "onde não haja miséria, exclusão, pobreza e onde se acabe a fome e o sofrimento das maiorias".

"Nesse camino temos marchado e estamos avançando em conquistas concretas em função dos interesses de nossos povos", expressou o líder revolucionário bolivariano.

Entre os avanços da relação bilateral, mencionou que cerca de 14 mil casas foram construídas no país com o apoio do governo iraniano, enquanto outras 7 mil casas serão construídas na Cidade Caríbia, situada entre o estado de Vargas e o Distrito Capital.

O mandatário venezuelano mencionou ainda que com a ajuda do Irã foram instaladas no país 26 usinas agroalimentares.

Ademais, disse que com o Irã o país está obtendo avanços na instalação de fábricas de tratores e de veículos e processadoras de leite.

"Esta é a nossa luta. Por isso e por mil razões, e pelas profundas relações humanas entre nossos povos, é que estamos hoje felizes ao dar as boas vindas ao presidente Ahmadinejad, não só à Venezuela, mas também as boas vindas a nossa América, esta América índia que se pôs de pé uma vez mais. Nossa América começou a caminhar com seus próprios pés, somos livres, já não somos colônias de nenhum imperio”.

Por sua vez, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, disse que apesar dos "arrogantes" que fazem oposição, ele estará "para sempre" junto de seu colega venezuelano, Hugo Chávez. "Apesar dos arrogantes que não querem nos ver juntos, estaremos juntos para sempre", disse Ahmadinejad após ser recebido por Chávez.

Ahmadinejad, que visita a região enquanto os países imperialistas aumentam a pressão contra Teerã por seu programa nuclear, classificou Chávez como "irmão" e "o símbolo da revolução na América Latina". "Hoje o povo venezuelano e o povo iraniano, os dois juntos, estão em um caminho de luta contra toda a avareza dos arrogantes do imperialismo. O sistema hegemônico e dominante está em sua decadência", acrescentou.

Ahmadinejad disse que a América Latina está desperta para "reivindicar seus direitos" e considerou que a região "leva a ferida e a cicatriz de tudo o que sofreu ao longo da história, de muitos séculos". O líder iraniano vislumbrou um futuro "livre de arrogância, livre de opressão, livre de tudo o que estão fazendo os arrogantes". Após reunir-se com Chávez, está previsto que o presidente iraniano visite a Nicarágua para participar da posse de Daniel Ortega e posteriormente se dirija a Cuba e Equador.

Por: Agência Venezuelana de Notícias
via Portal Vermelho
Foto: Reprodução